sábado, 17 de dezembro de 2011

Fotografia de nu?

Acho interessante começar o primeiro post efetivo desse blog com uma provocação de Paulo César Peréio (em seu livro "Por que se mete, porra?"):

Cuidado com a incapacidade da ironia, com o provincianismo mental!
Há mais que um sentido no texto, então no discurso, contido em nenhuma palavra dela ou dele. Pois é impossível o texto do discurso dizer aquilo que diz.

Pensar em fotografia não é pensar na modelo retratada. Estamos falando de uma figura bidimensional, a impressão fotográfica em si. Lembrar que todo sentido de profundidade na fotografia é mera ilusão de nosso cérebro é SEMPRE fundamental.

Para isso, acho interessante introduzir dois conceitos básicos de composição fotográfica, mesmo que superficialmente:

1 - composição geométrica: é, literalmente a maneira como as linhas se organizam na foto (ou numa peça gráfica ou obra de arte qualquer). circulos, quadrados, diagonais, triângulos, caminho de leitura, enfim... geometria. (esse link explica isso de forma interessante)

2 - composição ideológica: essa parte é mais complicada e bem mais profunda. Para brincar de composição ideológica a gente precisa de algumas ferramentas a mais. Mas a questão é: nem sempre ela está presenta (falando do fotógrafo), mas isso não quer dizer que não possa ser atribuída (falando do observador). É a parte do texto da fotografia, o que foi retratado, por que foi retratado, buscar entender se aquilo não é mais que uma foto bonita.

Vamos então ver um pouco disso:


Essa foto é um auto-retrato (de uma série) de John Coplans. Vamos observar algumas coisas:

1 - ele, a partir da posição da câmera e de seu próprio corpo transforma seu tronco em um retângulo e suas mãos aparecem apenas sobre sua cabeça como algo que saísse do próprio corpo.

2 - esse é um tipo específico de fotografia de nu que retrata apenas fragmentos.

3 - mesmo se não soubéssemos que isso é um retrato (a parte do "auto" não importa aqui) de John Coplans, saberíamos facilmente que se trata de um homem.

4 - o trabalho de John Coplans, além de extremamente realista retrata muito o corpo humano como uma fortaleza. E é aqui que começamos a sair da composição formal para a composição ideológica. O trabalho de J.C. não retrata o homem, mas a relação do homem-ser-humano consigo mesmo. Entender o ser humano como uma fortaleza não passa longe daquele nosso típico medo de psicólogos, afinal, eles vêem através dos muros.

Não é descabido, depois de observar que o trabalho dele reflete o homem enquanto fortaleza, pensar em algo, ao ver essa foto, como duas torres e um muro, algo mais literal. Ou qualquer coisa que remeta a idéia de fortaleza.

Mas, além de tudo, esse trabalho me parece extrememamente irônico. Se o homem é uma fortaleza, qual a necessidade de Pink Floyd cantar "Mother, should I build the wall?"?

P.S.: Mais tarde, encontrei uma coisa interessantíssima sobre essa foto. No site do Tate, encontrei uma classificação interessantíssima para essa foto: "society - birth to death - old age". Isso abre um leque para ainda mais interpretações. Seria isso um túmulo? Seria um túmulo uma fotaleza?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Plano de trabalho

A Publicidade é a não-arte de convencer, certo? Então pensar em fotografia (também como parte contituinte das várias formas de mídia que a publicidade usa) como uma ferramenta de sedução é extremamente pertinente, certo? A fotografia erótica muitas vezes vem (por vezes erroneamente) ligada a sedução. Talvez por uma cultura de que a nudez seja algo íntimo demais para se tornar público ou simplesmente pela relação (quase inevitável) entre nudez e sexo.

Falar de fotografia erótica, no entanto, não tem quase nada a ver com falar em sexo. Assim como o erótico não tem necessariamente muito a ver com sedução. Diz o dicionário aurélio:
erótico
[Do gr. erotikós, pelo lat. tard. eroticu.]
Adjetivo.
1.Relativo ao amor.
2.Inspirado pelo amor; que tem o caráter de lirismo amoroso:
3.Inspirado ou provocado pelo erotismo:
4.Sensual, lascivo. ~ V. zoofilia —a.
Assim, voltemos à erotismo:
erotismo
[De erot(o)- + -ismo.]
Substantivo masculino.
1.P. us. Paixão amorosa.
2.Amor lúbrico; lubricidade.

Não me parece estranho, então falar que todo esse conceito de erotismo que temos hoje é de certa maneira deturpado. Pensar em erótico então parece-me mais uma idéia de buscar por algo que seja uma busca por algo que seja bonito, insinuador (não necessariamente relativo à sexo, mas que também não impede a relação) e, acima de tudo, idealizador. Como os amores platônicos.

No entanto, entender fotografia erótica implica (obviamente) noções que são típicas da linguagem fotográfica. Para tanto, me interessa muito dois conceitos básicos que merecem ser destacados desde já.

Um deles vem de Magritte e seu famoso "Ceci n'est pas une pipe" e o "Ceci n'est pas une pomme". Ele chama atenção para a questão da pintura não ser o objeto, apenas uma reprodução dele, uma idealização, uma visão, uma perspectiva do determinado objeto retratado. Com base nisso, enxergar fotografia como uma arte gráfica que, como a pintura, sofre manipulação por meio de técnicas que podem (e o fazem) alterar completamente uma determinada visão ou perspectiva. Seja pensando em manipulação digital ou na própria fotografia analógico com suas variadas formas e combinações químicas e papeis e texturas que estão intimamente ligadas à reprodução de uma imagem "capturada".


Outro, não menos interessante, é de Barbara Kruger que na obra abaixo anuncia: Your body is a battleground. Sempre lidado com dualidades (gordo/magro, bonito/feio, alto/baixo, simetria/assimetria, organização/desorganização, e muitas outras) somos colocados em uma imensa briga com nós mesmos no sentido de sermos um ou outro, de querer sair de um para outro. Assim, vivemos em uma guerra, em um battleground de dualidades que, por vezes (pensando em fatores psicológicos, midiáticos, ideológicos, culturais e possivelmente muito outros que não consigo listar aqui), leva-nos a uma certa batalha interior por uma busca de uma imagem determinada. Essa busca (explicada de certa forma por Goffman em sua teoria da dramaturgia) acaba se refletindo na fotografia e nas artes em geral, seja reafirmando-a, criticando-a, ou simplesmente usando-se dela de alguma maneira. Trabalha com fotografia não necessariamente significa trabalhar esse conceito diretamente, mas é facilmente ralacionável ao ponto a que queremos chegar.


Pensar em fotografia de nu e erótica é então abandonar essas dualidades e a noção de que aquilo é uma pessoa e buscar abstrair um pouco esse aspecto. Parar de pensar na pessoa retratada e pensar no ato de retratar, pensar em geometria, em semiótica, em psicologia quando aplicável. Por vezes uma foto pode ser meramente estética, uma busca por uma imagem agradável visualmente. Mas isso não é uma regra. Ou, ainda, uma foto meramente estética tem um valor profundo atribuído por pesquisadores ou mesmo pelo fotógrafo depois de anos de observação.

Não é um objetivo desse trabalho buscar fotos de revistas masculinas como Playboy, Vip e tantas outras que as bancas de revistas nos oferecem mensalmente. Aqui, tentarei analisar fotos de autores, o que não exclui as fotografias de fotógrafos que já trabalharam para essas revistas, mas buscar um sentido autoral das fotografias dos fotógrafos.

Ao final, a idéia é mostrar como esse tipo de fotografia vem lentamente sendo trabalhada pela publicidade. Parece-me que o ramo que, ainda que com um certo cuidado, mais se utiliza desse tipo de fotografia é o ramo da moda. Mas, isso é algo a se pesquisar.

Nesse sentido, a idéia do trabalho é buscar repertório na área de fotografia como um todo com foco em fotografia de nu e erótica. Para tanto, nada melhor que internet, livros e muita fotografia.

Fotografia de nu artístico e Erótica.

Ao longo do preimeiro semestre de 2011, devido a uma requisição de uma disciplina da faculdade, eu estive pesquisando a respeito de fotografia de nu artístico e fotografia erótica. Junto com esse trabalho, a matéria criou um blog. Desse blog, vou transcrever as postagens gradualmente para cá e pretendo continuar desenvolvendo algum tipo de pensamento a respeito.

Aos que se interessarem, apertem os cintos...

quarta-feira, 30 de março de 2011

O novo homem

Esse é um quadro que eu vi, procurando bibliografia pra uma disciplina da faculdade, numa tese de doutorado de um (derrt) doutorando (já Doutor) da UFMG. Achei interessantíssimo. A referência vem depois do quadro.

"Nova" a que ele se refere é a Revista Nova.

Abordagem do discurso amoroso na perspectiva da análise do discurso e da psicanálise, Cássio Eduardo Soares Miranda, 2008.

Orientador: Ida Lucia Machado.
Co-orientador: William Menezes.
Área de Concentração: Estudos Lingüísticos.
Linha de Pesquisa: Análise do Discurso.

A referência não tá de acordo com ABNT, mas foda-se. Isso é só um blog.

sábado, 21 de agosto de 2010

Compra coletiva e clubes de compra

Depois de um post tão fail sobre o debate dos presidenciáveis que nem eu consgui achar interessante - e, exatamente por isso, não foi publicado - (apesar de que a proposta inicial era boa), resolvi lidar com um assunto mais leve.

Recentemente eu tenho encontrado algumas coisas interessantes que eu resolvi colocar aqui. São os sites de compra coletiva e de clube de compra.

Funciona mais ou menos assim: a empresa coloca um produto à venda nesses sites à preço de banana e com uma meta mínima de vendas. Se o mínimo for atingido você recebe o seu produto em casa, se não, você tem seu dinheiro de volta. Parece muito simples, e é de fato.

A verdade é que não sei a fundo como funciona. Mas funciona. Existem dois tipos de sites: os de a) compra coletiva e os de b) clube de compra.

Os clubes de compra são sites com "associados" (você!) que têm a sua disposição produtos de certas marcas. Os produtos são de em geral de marcas famosas. Por exemplo: nesse exato momento o site Privalia têm produtos a venda da Ocean Pacifc, Dust, Thipton, Liz, Lee, entre outros. Para ser mais claro: uma camiseta da Lee de R$75 está sendo vendida por R$25. Fui claro?

Já os sites de compra coletiva são mais simples e locais. Você escolhe sua cidade e é apresentada a você uma oferta do dia que conta com restaurantes, bares, spas, cursos essas coisas. Eu mesmo comprei um crédito de R$40 num botequim charmosíssimo aqui de BH por R$12 no Peixe Urbano.

De forma geral, é uma boa forma de economizar uma grana na hora de um luxo ou pra relaxar um pouco com uma boa sessão de massagem. E esses são apenas alguns exemplos de sites desse tipo aí espalhados pela internet. Vale a pena procurar por mais referências.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Indicações Tardias #7 - Beck, Record Club: Kick

Peraí, mas Kick não é o disco do INXS? Isso mesmo. Já explico, calma.

Segundo o próprio Beck, artista de várias esquisitices musicais [brincadeira, ele é um gênio. Mesmo!], Record Club é a uma reunião de vários músicos sem a intenção de adicionar ou modificar nada às músicas para regravar um disco inteiro em um único dia. São palavras dele:
Record Club is an informal meeting of various musicians to record an album in a day.

The album chosen to be reinterpreted is used as a framework. Nothing is rehearsed or arranged ahead of time. A track is put up here once a week. The songs are rough renditions, often first takes that document what happened over the course of a day as opposed to a polished rendering. There is no intention to 'add to' the original work or attempt to recreate the power of the original recording. Only to play music and document what happens.

Pra gente resta a o prazer de se deliciar com essa maluquice.

Um desses discos gravados foi o álbum Kick do INXS. Isso aconteceu com a participação dos músicos da banda Liars, St. Vincent e nosso conterrâneo Sergio Dias dos Mutantes.

Esse disco foi gravado nesse ano de 2010, no entanto figura aqui como uma "indicação tardia" por um único motivo: o Record Club não parou, já existe mais um disco gravado nesse mesmo sistema, logo, esse já não é tããããão novo assim. Só por curiosidade, o último disco é uma regravação do grego Yanni.

Ao invés de ficar me rasgando em elogios e comparações, deixarei que façam isso por si mesmos. Se é que alguém se interessou suficientemente para chegar até aqui. Seguem algumas faixas originais e suas respectivas gravações pelo Record Club. Deliciem-se.

Devil Inside:
Original

Versão


Never Tear Us Apart:
Original

Versão


Os vídeos das músicas estão todas disponíveis no Youtube e no site oficial do cantor Beck.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

IE 8 e a nova campanha da Microsoft

Passeando pela internet hoje pela manhã, encontrei a campanha nova campanha da Microsoft para promover o Internet Explorer 8. A idéia é simples, a campanha desafiadora.

Qual é o produto vendido? A Microsoft vende um Internet Explorer que é mais seguro, que mantém suas informações e privacidade seguras. Segundo a empresa, o IE 8 bloqueia 3 milhões de ameaças por dia.

Qual o meio que a campanha encontra? Trazer isso para a realidade dos usuários. São criadas empresas fictícias que conseguem arrancar de seus "novos clientes" até mesmo amostras de material genético. É tornando essa situação palpável para nós consumidores que a campanha traça seus objetivos.

Teve sucesso na realização? Sem dúvida. A Microsoft é uma empresa que investe fortemente em publicidade, essa não seria uma excessão. Além do investimento maciço na produção da campanha, a empresa conta com profissionais que conseguiram tornar isso o mais real possível, mesmo sendo uma grande ficção.

No final das contas, a Microsoft acerto em mais uma campanha. A aposta em uma campanha simples foi o grande acerto da empresa. Nada melhor que simplicidade para atingir um público amplo.

Pra quem ficou curioso, aqui está a campanha (em inglês):
 

Aos desavisados, um aviso:

Esse é igual àquele, mas diferente.******************************************** ********************************** Ainda não entendeu? Então leia isso.

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