
O que são os mitos, afinal? A concepção acadêmica da filosofia determina mito como a explicação metafísica para eventos, até certo momento, inexplicáveis. Mas e a ciência nessa história? Teria Nietzsche realmente matado Deus?
Os mitos atualmente têm assumido outro caráter. Nossos tótens não deixam de exercer influência sobre nossas vidas. Eles têm e sempre tiveram caráter de formação do indivíduo, seja na concepção medieval de um Deus punitivo e de um inferno torturante ou nas saídas mirabolantes que o Pica-Pau encontra para seus problemas.A criação do mito se dá a partir da identificação das pessoas com o personagem. A admiração pelo personagem ali representado tem enorme apelo com os locutores. Vejamos Joana D'Arc que se constituiu a partir de um mito francês de um mulher virgem que viria para liderar as tropas francesas levando-os à glória. Joana D'Arc surgiu em um momento histórico favorável e atendendo às exigências do mito vigente, alimentando assim a bravura das tropas francesas na Guerra dos 100 Anos.
Mas quem são nossos tótens hoje? Cada vez mais os conceitos religiosos vão se dissolvendo na sociedade. O mito para nossos filhos são os mesmos de nossos pais? Certamente não. Eles podem se conservar, mas cada vez mais as fontes de admiração e identificação tem se direcionado às figuras urbanas e modernas. Músicos, instrumentistas, personagens de séries, telenovelas, seriados e desenhos, participantes dos tão atuais reality shows. São incontáveis os casos, e alguns exemplos recentes são o grupo mexicano RBD, a cantora Madona ou até mesmo personagens como o nipônico Naruto, Batman do americano Frank Miller ou ainda Che Guevara ou Lênin, que se tornaram mitos.
A mudança substancial nos perfis de mitos e tótens se relaciona facilmente à mudança de perfil social. As histórias em quadrinhos (incluindo até mesmo os mangás no Japão) tomam força especialmente na passagem do século XIX para o século XX, com a consolidação de sociedades urbanas, com a Revolução Industrial. É a partir desse momento que surgem heróis como Flash Gordon, Dr. Fu Manchu e até mesmo personagens mais próximos de nossa realidade como a Mafalda do argentino Quino.Nietzsche personifica em seu personagem Zarathustra a ciência, que mata Deus, pregando o fim da necessidade dos mitos já que a ciência passa a explicar a natureza. O filósofo acredita que, no contexto que se insere, os mitos desapareceriam em função do racionalismo. Mas a necessidade de padrões para formação de indivíduos abraça novas figuras míticas. Zarathustra não deixa de ser mais um deles em meio a tantos outros, heróis ou não.
P.S.: Esta foi uma redação que eu fiz para o colégio mas que se encaixa bem na temática aqui do blog, por isso resolvi publicá-la. Exatamente por se tratar de um texto escrito para o colégio, se trata de um texto mais "quadradinho", diferente dos textos que costumo publicar, mas enfim... Espero que agrade.









0 comentários:
Postar um comentário