Falar de fotografia erótica, no entanto, não tem quase nada a ver com falar em sexo. Assim como o erótico não tem necessariamente muito a ver com sedução. Diz o dicionário aurélio:
erótico
[Do gr. erotikós, pelo lat. tard. eroticu.]
Adjetivo.
1.Relativo ao amor.
2.Inspirado pelo amor; que tem o caráter de lirismo amoroso:
3.Inspirado ou provocado pelo erotismo:
4.Sensual, lascivo. ~ V. zoofilia —a.
Assim, voltemos à erotismo:
erotismo
[De erot(o)- + -ismo.]
Substantivo masculino.
1.P. us. Paixão amorosa.
2.Amor lúbrico; lubricidade.
Não me parece estranho, então falar que todo esse conceito de erotismo que temos hoje é de certa maneira deturpado. Pensar em erótico então parece-me mais uma idéia de buscar por algo que seja uma busca por algo que seja bonito, insinuador (não necessariamente relativo à sexo, mas que também não impede a relação) e, acima de tudo, idealizador. Como os amores platônicos.
No entanto, entender fotografia erótica implica (obviamente) noções que são típicas da linguagem fotográfica. Para tanto, me interessa muito dois conceitos básicos que merecem ser destacados desde já.
Um deles vem de Magritte e seu famoso "Ceci n'est pas une pipe" e o "Ceci n'est pas une pomme". Ele chama atenção para a questão da pintura não ser o objeto, apenas uma reprodução dele, uma idealização, uma visão, uma perspectiva do determinado objeto retratado. Com base nisso, enxergar fotografia como uma arte gráfica que, como a pintura, sofre manipulação por meio de técnicas que podem (e o fazem) alterar completamente uma determinada visão ou perspectiva. Seja pensando em manipulação digital ou na própria fotografia analógico com suas variadas formas e combinações químicas e papeis e texturas que estão intimamente ligadas à reprodução de uma imagem "capturada".
Outro, não menos interessante, é de Barbara Kruger que na obra abaixo anuncia: Your body is a battleground. Sempre lidado com dualidades (gordo/magro, bonito/feio, alto/baixo, simetria/assimetria, organização/desorganização, e muitas outras) somos colocados em uma imensa briga com nós mesmos no sentido de sermos um ou outro, de querer sair de um para outro. Assim, vivemos em uma guerra, em um battleground de dualidades que, por vezes (pensando em fatores psicológicos, midiáticos, ideológicos, culturais e possivelmente muito outros que não consigo listar aqui), leva-nos a uma certa batalha interior por uma busca de uma imagem determinada. Essa busca (explicada de certa forma por Goffman em sua teoria da dramaturgia) acaba se refletindo na fotografia e nas artes em geral, seja reafirmando-a, criticando-a, ou simplesmente usando-se dela de alguma maneira. Trabalha com fotografia não necessariamente significa trabalhar esse conceito diretamente, mas é facilmente ralacionável ao ponto a que queremos chegar.

Pensar em fotografia de nu e erótica é então abandonar essas dualidades e a noção de que aquilo é uma pessoa e buscar abstrair um pouco esse aspecto. Parar de pensar na pessoa retratada e pensar no ato de retratar, pensar em geometria, em semiótica, em psicologia quando aplicável. Por vezes uma foto pode ser meramente estética, uma busca por uma imagem agradável visualmente. Mas isso não é uma regra. Ou, ainda, uma foto meramente estética tem um valor profundo atribuído por pesquisadores ou mesmo pelo fotógrafo depois de anos de observação.
Não é um objetivo desse trabalho buscar fotos de revistas masculinas como Playboy, Vip e tantas outras que as bancas de revistas nos oferecem mensalmente. Aqui, tentarei analisar fotos de autores, o que não exclui as fotografias de fotógrafos que já trabalharam para essas revistas, mas buscar um sentido autoral das fotografias dos fotógrafos.
Ao final, a idéia é mostrar como esse tipo de fotografia vem lentamente sendo trabalhada pela publicidade. Parece-me que o ramo que, ainda que com um certo cuidado, mais se utiliza desse tipo de fotografia é o ramo da moda. Mas, isso é algo a se pesquisar.
Nesse sentido, a idéia do trabalho é buscar repertório na área de fotografia como um todo com foco em fotografia de nu e erótica. Para tanto, nada melhor que internet, livros e muita fotografia.










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